Beta e Gui

Beta e Gui

É sempre uma alegria fotografar casamentos de amigos queridos. A responsabilidade aumenta, mas um fotógrafo de casamentos está bastante acostumado com as emoções e sentimentos que cercam esse dia especial e todos aqueles que fazem parte dele.

Pra contar essa história, ninguém melhor que o próprio noivo, o escritor Guilherme Figueira, que recentemente lançou seu primeiro livro “Tantos Anônimos e um ou outro com Certidão”.

Como a Beta disse nos votos, o Guilherme é o cara das palavras. Com vocês, o relato de um dia sem calendário nem previsão do tempo.

 Casamento: um dia sem calendário e sem previsão do tempo.  

No dia do meu casamento, acordei ouvindo sinos. Eram apenas sete e meia da manhã quando as badaladas da igreja ao lado, aos berros, invadiram o quarto onde eu dormia, impossibilitando que o sono durasse um pouco mais. E mesmo que o silêncio voltasse, eu não conseguiria. É impossível desligar novamente a consciência depois de se dar conta de que aquele dia, enfim, tinha chegado.

Beta e Gui

O dia do casamento é um dia perdido no tempo. É um dia que se estende por meses ou até anos: começa no pedido e só termina quando a memória deixa de acariciá-lo – e se é que ela deixa. É também um dia nômade pela linha do tempo, uma folha desgarrada do calendário, um dia que parece nunca chegar.

 

Mas chegou. E a primeira coisa que dez entre dez noivos fazem ao acordar no dia do casamento é olhar para o céu. Cinza chumbo, prestes a desabar. E logo desabou. A ansiedade duplicou. As horas que se arrastaram até o início da cerimônia foram de uma queimação no estômago, invencível a qualquer omeprazol.

Beta e Gui

Almoço, olho para fora. Tomo um banho, olho para fora. Visto a calça, a camisa e o paletó e, entre uma peça e outra, olho para fora. A chuva só diminuía no discurso dos padrinhos, tentando me cegar com as esperanças: está parando. Na TV e no rádio, que por sorte nem vi nem ouvi, a realidade era oposta. Chovia torrencialmente, chovia tudo que era previsto para o mês, para o ano, para a década, os rios entornaram, o prefeito decretou estado de alerta, Petrópolis transbordou.

Beta e Gui

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À medida que a cerimônia se aproximava, transbordavam também as perguntas (clinicamente chamadas de neurose): será que vai parar? Será que vai diminuir? Será que o toldo vai dar conta? Será que os convidados vêm? Será que a noiva vem? A chuva não parou, o toldo deu conta, todos os convidados chegaram. E a noiva?

 

A entrada da noiva não é uma coisa que se enxergue apenas com os olhos. Assim que vi o que era ainda um “vulto branco” se movendo ao fundo, atrás de todos os convidados, o meu corpo todo se transformou. A garganta deu um nó macio, a queimação subiu para o peito e deixou de queimar para apenas esquentar, e os olhos, como os rios, entornaram.

Beta e Gui.
Beta e Gui.
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A partir daí, o que se sucedeu foi uma sequência de cenas que as palavras não dão conta de explicar. Uma bomba de alegria que estourou debaixo do toldo e deu sentido à vida. A possibilidade de viver algumas horas em uma outra dimensão. A experiência de estar suspenso no ar e flutuar. A descoberta do que é o amor, em sua mais profunda intimidade.

Beta e Gui.
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Beta e Gui.
Beta e Gui.
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Beta e Gui.
Beta e Gui.
Beta e Gui.
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Apesar das doze horas de duração, a festa ainda seguia animada quando fomos embora. À francesa, para que o povo seguisse a dançar e a garantir que aquele dia não teria fim. Éramos agora um noivo e uma noiva a andar pelas ruas vazias e molhadas de Petrópolis. Sob um céu cheio de estrelas.

 

PS – Meus agradecimentos especiais ao Rogério von Krüger – e equipe, Stefano Aguiar e Eduardo Almeida – que, com seu olhar preciso, foge dos clichês para se aproximar do casamento, como ele verdadeiramente é.

(para mais fotos do casório, clique aqui!)

 

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